Lugar de gato não é na rua!

O lojista deve se informar de todos os motivos que levam os felinos a esse comportamento e orientar seu cliente como forma de prevenção de problemas e doenças.

Como já sabemos, a rua não é lugar para gato. Os passeios pelas ruas podem trazer algumas doenças e problemas para os animais. Ao encontrarem outros gatos que vivem na rua, podem ter contato suficiente para brigas e transmissão de algumas doenças

É papel fundamental do lojista orientar seus clientes sobre as razões desse comportamento e a forma adequada de se prevenir.

E por que um gato sai de casa?

Sabe-se que os gatos passeiam na rua para encontrar machos e fêmeas para o acasalamento, para tomar conta do seu território, para caçar passarinhos, ratos, lagartixas, baratas e outros bichos e para fazer suas necessidades no quintal vizinho.

O contato com outros gatos nem sempre saudáveis e locais contaminados pode possibilitar a transmissão de viroses, infecções bacterianas e protozoárias.

Algumas doenças comuns devem ser conhecidas como Doença do Complexo Respiratório Felino. Esta doença pode ser identificada como um resfriado dos gatos. Causada por um vírus que ataca principalmente o sistema respiratório, é muito grave quando acomete os filhotes. Os animais apresentam secreção nasal e ocular e a doença pode se tornar crônica se não for tratada corretamente. Como prevenção, deve-se vacinar os animais e, se apresentarem sintomas, iniciar logo o tratamento sob orientação de um médico veterinário.

Na rua, os gatos podem pegar pulgas, que além de causarem incômodo pela coceira da sua picada, transmitem parasitas que causam doenças como, por exemplo, o dipilidium. O dipilidium é um parasita frequente transmitido pela pulga, parece um grão de arroz achatadinho e se movimenta. Por isso, ao tratar verminoses nos gatos, é indicado aplicar também um antipulgas, conforme orientação de seu veterinário.

A pulga também transmite o micoplasma, um protozoário que parasita o sangue, especificamente as hemácias, causando anemia. Outros parasitas externos são aqueles que causam sarna. Este é um ácaro que coloniza os folículos pilosos, principalmente nas orelhas e face. Existe também a sarna de ouvido, que forma cerumen preto dentro do conduto auditivo.

Além de tudo isso, os gatos também estão sujeitos a se contaminarem com doenças virais que podem levá-los à morte e não têm cura como, por exemplo, a Peritonite Infecciosa Felina, a Leucemia e a temida FIV (AIDS Felina).

O cliente deve estar ciente de todos os riscos que o animal corre se frequentar as ruas. Como forma de prevenção de algumas doenças, deve-se orientá-lo a vacinar seu animal periodicamente segundo orientação veterinária, uso de vermífugos e antiparasitários.

O lojista deve ter em mãos vermífugo que pode ser dado via oral, ou até mesmo via tópica, facilitando o trabalho do cliente em administrar medicamentos.

Também devem ser oferecidos antiparasitários externos para a prevenção de pulgas.

Caso o gato já tenha levado pulgas para o ambiente familiar, é bom que haja a vinculação da venda de produtos para dedetizar o ambiente também. Lembre o cliente que 95% das pulgas ficam no ambiente e 5% nos animais. Vermífugos e antipulgas devem ser periódicos.

Para que seja possível manter o gato em casa, é importante castrá-lo. Sem hormônios atuantes, os animais perdem o desejo de sair para acasalar.

Também é importante que o gato tenha opções de bandeja com areia higiênica sempre disponível. Os gatos devem usar areia de boa qualidade, sem cheiro, com grãos que não incomodem seus coxins ao entrarem na caixa sanitária. Por isso, o proprietário deve estar ciente de que a troca de areia pode levar à retenção urinária, pois o gato pode não gostar da areia nova. Hoje no mercado, existem várias opções de granulados como sílicas, granulados finos, granulados grossos, granulados compostos por pedaços de madeira, entre outros. Os gatos escolhem a areia que lhes é mais agradável. Logo, deve-se testar algumas marcas e estabelecer como padrão individual do animal

É recomendado utilizar uma caixa sanitária por gato e mais uma, portanto, se houver dois gatos o recomendado é ter três caixas sanitárias. As caixas devem ser mantidas sempre limpas. Dentre os tipos de caixas que o mercado disponibiliza, existem as aliteras comuns, as fechadas, as mais altas, com ou sem borda, enfim, o animal deve ter a caixa mais adaptável ao ambiente e a ele.

*Dra. Kátia Haipek é mestre pela Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de São Paulo e especialista em Medicina Felina.

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